MARESI – O PODER E A FORÇA DE SER MULHER

   Publicado em 9 de março de 2020

A Abadia Vermelha é um local exclusivo para as mulheres. As irmãs que vivem nesta ilha, afastada da civilização, acolhem e protegem as garotas que conseguem chegar até lá. Muitos acreditam que essa Abadia não passa de uma lenda. No entanto, algumas mulheres conseguiram encontrar o caminho para chegar nesse local sagrado. Cada moradora tem uma história diferente para compartilhar, porém, de alguma forma, todas são fugitivas.

Maresi chegou à Abadia quando tinha 13 anos, durante o inverno da fome, e desde então aprende e compartilha o seu conhecimento com as novas moradoras. Por mais que a jovem tenha passado por dificuldades e procurado ajuda, sua história é um pouco diferente das demais noviças. Maresi veio de uma família amorosa, sem sofrer qualquer tipo de abuso e violência. Seu pai não quis que ela partisse, mas para salvá-la da fome achou melhor entregá-la para as Irmãs.

Por conta disso, inicialmente, Maresi narra a sua história com um ponto de vista ingênuo. Mas a sua visão sobre o mundo muda com chegada de Jai. Essa jovem foi até à Abadia Vermelha atrás de refúgio e Maresi recebeu a missão de orientá-la. Fragilizada e traumatizada, Jai precisará de ajuda para se adaptar na ilha.

Todas as garotas que vivem na ilha, carregam algum tipo de trauma. Maresi precisou fugir da fome, mas outras precisaram fugir das violências físicas e psicológicas causadas pela comunidade em que viviam ou até mesmo pelos próprios familiares.

Não há distinção entre as mulheres que vivem na Abadia Vermelha, elas usam o mesmo tipo de vestimentas e todas se ajudam. As irmãs proporcionam a educação necessária para que elas se tornem mulheres fortes, independentes e capazes de tomarem as próprias decisões. As jovens aprendem tudo o que deveria ser ensinado, mas que foi privado por serem mulheres. Elas aprendem ciências, história, filosofia, matemática e até mesmo astrologia.

Maresi é uma fantasia feminista que explora não só o poder das mulheres como mulheres, mas também a recuperação de espaços femininos. A autora teve a delicadeza e a preocupação em valorizar o trabalho, a feminilidade e usar o conhecimento como ferramenta de poder. O romance é atemporal; e é marcante como certas questões apresentadas ainda permeiam nossa sociedade com tamanha força. Ainda temos muito a conquistar e assim o estamos fazendo em todas as áreas do conhecimento, seja na ciência, na literatura, na filosofia ou nas artes. Em vista disso, Turtschaninoff mostra que não precisamos de rivalidade entre nós, mulheres; e sim união em nossa jornada. 

Clayci Oliveira (texto e fotos)

Blog: https://saidaminhalente.com/
Instagram: https://www.instagram.com/clayci/

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