Acender uma fogueira

  

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Débora
Débora
1 ano atrás

Que conto maravilhoso! Uma escrita belíssima. Obrigada por disponibilizar.

Felipe Vergara
Felipe Vergara
11 meses atrás

MT BOM AAAAAAAAAAAAAAAAAA

Eduarda Petry
11 meses atrás

Nunca tinha tido contato com a escrita do Jack London, mas esse conto me deu muita vontade de ler mais obras do autor. Meu corpo foi congelando junto com o do protagonista, tão rica é essa narrativa! Mais uma vez, obrigada, Morro Branco!

Vitória
Vitória
11 meses atrás

Um belo conto, fiquei sem reação mesmo sabendo que o fim seria aquele. Foi uma ótima iniciativa, parabéns Editoria Morro Branco.

Aline Teixeira
11 meses atrás

É a primeira vez que leio o autor e, caramba, que desespero! Ele conseguiu passar todas as sensações do personagem para mim enquanto lia. É aquele tipo de escrita para ler na época certa. Se eu senti frio congelante no calor que está aqui, imagina lendo esse conto no inverno? Seria desesperador, mas a experiência seria ainda mais intensa do que já foi.

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Aline Teixeira

Jack London tem mesmo esse poder de nos transmitir todas as sensações. Nossa equipe também ficou impactada aqui! hahahaha. Ficamos felizes quando as pessoas também sentem. Agradecemos pelo comentário, Ali! ♥

Rafael
Rafael
10 meses atrás

Incrível! Segurei a respiração em vários momentos do conto. O Projeto Cápsula é genial!

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Rafael

Que bom que você gostou! Agradecemos pelo comentário!

Paulo Vinicius F, dos Santos

Conhecemos Jack London principalmente por causa de suas histórias O Lobo do Mar e Caninos Brancos. Logo de cara é possível comentar sobre o quanto o autor consegue criar uma narrativa que vai enredando o leitor progressivamente. Ele não tem pressa em contar a história. Ao escolher meticulosamente as palavras a serem encadeadas, a narrativa ganha fluidez e harmonia. Logo, uma narrativa que parece ser comum ganha todo um sentido maior devido à forma como ela progride. Por exemplo, em O Lobo do Mar, o autor lentamente constrói a relação do protagonista com o ambiente em que ele vive. Por essa razão, tudo parece fazer parte, ser o universo, a realidade em que ele vive. Não conseguimos enxergar o protagonista fora daquele lugar.

Essa capacidade de tornar o simples em algo cheio de urgência podemos ver em Acender uma Fogueira, um conto sensacional do autor que a Editora Morro Branco disponibilizou em seu site de forma gratuita através do projeto Cápsula. Se eu posso resumir a história em poucas palavras, se trata de um homem que precisa chegar até o acampamento de seus colegas caçadores. Ele precisa sair de um ponto A para chegar no ponto B. Só que ele precisa enfrentar a fria temperatura do Alaska que, naquele dia, estava realmente baixa. Então, uma simples travessia se transforma em uma odisseia de vida ou morte em que o autor compartilha seus pensamentos com o seu fiel companheiro, um husky. O “vilão” da história é o frio. Podemos também entender a natureza em suas complexidades como a antagonista. Toda a narrativa é baseada em uma exploração da percepção do cão e de seu dono sobre aquilo que estava acontecendo. Sim, o cão se transforma em um dos protagonistas da narrativa. Embora incapaz de falar, vemos como ele percebe o ambiente, o comportamento de seu dono, e até se lembra de como seus ancestrais reagiam diante do imponderável.

Às vezes um autor tenta criar um antagonista complexo para seu protagonista e se esquece da noção de que existem outras maneiras de antagonizar um personagem. Um antagonista não precisa ser necessariamente um personagem; neste conto, temos uma força da natureza que precisa ser superada pelo caçador. É essa força que vai impor um obstáculo a ele. Podemos pensar também no tempo como o vilão de uma história. Neste conto, Jack London quase personifica a natureza ao dar-lhe uma espécie de “consciência” ou “vontade”. O clímax da história é tão vívido que parece que o “antagonista” está vivo e senciente. O protagonista se lembra de um comentário feito por um velho em uma vila próxima sobre como se proteger do frio. Esse comentário poderia ser encarado quase que como uma dica sobre o ponto fraco de um vilão, por exemplo. A simplicidade da narrativa de Acender uma Fogueira acende uma luz sobre como, às vezes, complicamos desnecessariamente a composição de uma história.

Outro ponto fantástico é como London explora os sentidos do leitor. Como temos uma narrativa com apenas dois personagens, a descrição e as ações se tornam importantes para a progressão. E estas devem ser feitas de uma maneira que o leitor não se sinta desestimulado a continuar a leitura. Ou seja, em nenhum momento eu achei a leitura chata… muito pelo contrário. Os dilemas vividos pelo caçador eram compartilhados por mim. London conseguiu me transportar para um ambiente ao qual eu nunca estive presente, mas sentia que conhecia através do encadeamento de palavras em cada parágrafo. A narrativa não chega a ser poética, mas ela possui uma beleza ímpar. Há todo um estímulo do sentido do toque, da visão, da audição e do olfato (o paladar não chega a ser trabalhado). O caçador se preocupa com a falta de sensibilidade nos membros inferiores e essa preocupação é o que o leva ao desespero. Ao mesmo tempo ele busca alguma pista, algum sinal da proximidade com os seus companheiros e chega a correr desvairado pela paisagem desolada da neve. Os ruídos da floresta congelada representam quase que uma sentença de morte para ele. Nesse sentido audição e olfato se mesclam através da presença consoladora de uma fogueira, aquele que vai debelar seus inimigos.

Enfim, Acender uma Fogueira é um conto que representa uma aula de como criar uma bela narrativa através de uma premissa simples. Mesmo assim, a escrita de London é repleta de camadas por cima de camadas. Mesmo sendo uma narrativa que podemos descrever em poucas linhas, não deixa de ser uma das melhores histórias curtas do século XX. E prova mais uma vez a genialidade de um mestre na arte de contar histórias.



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