Aqueles que Abandonam Omelas

  

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Anderson
Anderson
11 meses atrás

Que Conto ótimo, bem filosófico, tentem trazer alguns do Ray bradbury!

Anna Giselle
Anna Giselle
11 meses atrás

Que conto maravilhoso, como todos os outros do projeto cápsula. Nunca tinha lido nada da Úrsula e me encantei.

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Anna Giselle

Ficamos muito felizes com o seu comentário, Anna. É bom saber que o Projeto Cápsula te fez conhecer uma nova autora. Nós também temos um livro da Ursula publicado, chamado “A Curva do Sonho”. Acreditamos que você

Marcio Ribeiro
Marcio Ribeiro
11 meses atrás

O que sempre me cativa na escrita de Ursula K. Le Guinn é sua capacidade de criar sociedades, civilizações, sejam elas mera utopia ou mundos distantes, pensar toda a estrutura de sociedades surgidas de sua mente, basta ler alguns de seus livros como “A mão esquerda da escuridão”, “Os despossuídos”, “The word for world is forest” (sendo esses os que já li, além dos livros iniciais da série Terramar).

* Spoilers!
Nesse pequeno conto, Ursula fala de forma delicada e clara sobre um tema complexo, sobre o que ela mesma diz em suas primeiras páginas: a banalidade do mal.

Conceito introduzido por Hannah Arendt, a banalidade do mal é advindo de sua percepção originada do julgamento do oficial nazista Eichmann. Cientes que a felicidade da maioria depende da institucionalização e sistematização da dor de uma minoria, os membros de uma sociedade que têm esse conhecimento conseguem de fato ser felizes? O conto demonstra que essa sociedade pode chegar a um estado que crê ser certa sua atitude, num fechar-de-olhos para o que não lhe diz respeito. Afinal, o Estado institucionalizou aquela questão. Assim o fez Eichmann e tantos outros ao enviarem milhões de seres humanos à morte, acreditando estar a cumprir o seu dever com o maior zelo e eficiência possíveis, obedecendo burocraticamente ordens sem questioná-las.

Em uma breve pesquisa, encontrei informações de que o conto também tem base em uma passagem de “Os Irmãos Karamázov” de Dostoiévski, como colocado por Svetlana Alexijevich em “As últimas testemunhas”:

“No passado, Dostoiévski fez a seguinte pergunta: e será que encontraremos absolvição para o mundo, para a nossa felicidade e até para a harmonia eterna se, em nome disso, para solidificar essa base, for derramada uma lagrimazinha de uma criança inocente? E ele mesmo respondeu: essa lagrimazinha não legitima nenhum progresso, nenhuma revolução. Nenhuma guerra. Ela sempre pesa mais.

Uma só lagrimazinha…”*

*http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/aqueles-que-abandonam-omelas-ursula-k-le-guin-resenha/

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Marcio Ribeiro

Olá! Nossa, adoramos a resenha, ficou incrível mesmo!

Denise
11 meses atrás

Excelente conto, Ursula tem uma escrita incrível, em poucas páginas já nos ambienta em Omelas e nos apresenta as sensações da cidade, além de sua cruel realidade. O conto nos deixa perplexos, tristes e não tem como não relacionar com o nosso dia-a-dia. Quais injustiças deixamos passar para que uma pretensa “felicidade geral” seja alcançada? E o que fazemos com essa culpa?

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Denise

Excelente comentário, Denise. Ficamos felizes por você ter gostado!

Cesar Silva
11 meses atrás

Que projeto maravilhoso, ainda mais com textos dessa qualidade e representatividade! Parabéns pela iniciativa. Seria possível disponibilizar uma opção para impressão?

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Cesar Silva

Olá Cesar, tudo bem? Que bom que você gostou! Infelizmente não, o objetivo do Projeto Cápsula é ser lido no site, no desktop, tablet ou celular somente.

Aline Teixeira
10 meses atrás

Não poderia esperar menos de Úrsula! Um conto que começa despretensioso e que nos leva a refletir sobre os propósitos e os exemplos da vida. Confesso que fiquei até um pouco chocada ao notar que muitas vezes precisamos do exemplo triste de alguém para encontrar nossa felicidade. Parabéns por trazerem mais este conto!

Morro Branco
10 meses atrás
Reply to  Aline Teixeira

Ficamos felizes por você ter aproveitado o conto, Aline. Agradecemos o carinho!

Jocelia Teles dos Santos
Jocelia Teles dos Santos
10 meses atrás

Excelente. Por mais publicações assim!

Morro Branco
10 meses atrás

Que bom que você gostou! Agradecemos pelo comentário!

Camille Pezzino
Camille Pezzino
10 meses atrás

Esse conto é bem reflexivo, um reflexo social intrigante e vivo. Adorei.

Morro Branco
10 meses atrás

Olá Camille! Ficamos felizes em saber que você gostou!

Nathalia
Nathalia
10 meses atrás

Muito bom!! Amei a iniciativa. Espero que tenha mais!

Ana Mayara da Silva
Ana Mayara da Silva
9 meses atrás

Quebrou o meu coração, como eu sabia que ia fazer. Muito bem, Úrsula. E muito obrigada pela publicação, Morro Branco.

RUDYNALVA CORREIA SOARES
RUDYNALVA CORREIA SOARES
9 meses atrás

O conto é bem no estilo ficcional da autora, e traz muita reflexão sobre a sociedade criada.

Paulo Vinicius F, dos Santos

Deixando a minha opinião aqui (que depois eu vou publicar no blog):

Aqueles que Abandonam Omelas é uma história curta clássica de Úrsula K. Le Guin que foi vencedora do Hugo na categoria de histórias curtas em 1972. É um dos contos que pertencem a uma das melhores coletâneas de histórias da autora: The Wind’s Twelve Quarters (que eu adoraria que alguma editora trouxesse para o Brasil). A Editora Morro Branco traduziu e disponibilizou gratuitamente este conto em sua plataforma, o Projeto Cápsula.

Imaginem uma cidade linda e maravilhosa. Onde as pessoas estão celebrando um festival, dançando e cantando enquanto as luzes da cidade revelam todas as belezas. Crianças tocam flautas, com acordes belíssimos. A cidade é uma utopia magnífica, onde não há pobreza e nem doenças. O narrador segue em descrições idílicas deste verdadeiro paraíso na Terra. E se o leitor quiser pode acrescentar uma orgia qualquer com sacerdotes ou sacerdotisas nuas passeando pelas ruas da cidade. Ou, se o leitor quiser algo mais estimulante, acrescente o drooz, uma droga capaz de fazer o que quiser com os sentidos. O importante é o leitor se sentir encantado pelas maravilhas dessa cidade. Mas, isso vem a um preço. Para que esta felicidade exista, uma criança vive nas profundezas desta cidade. Com medo, assustada e mal nutrida, sua desgraça é o que sustenta a felicidade dos demais. Ela vive nua, desnutrida, sentada nas próprias fezes, sendo xingada e vítima de pena pelos outros. Todos da cidade sabem que ela existe. O que acontece a ela é necessário para que a cidade viva sua era de ouro.

Le Guin é uma autora incrível ao tecer uma história que possui tantos significados como esta. O que ela discute aqui é um tema aparentemente claro, mas que exige muita reflexão: a injustiça social. E aí é possível trazermos essa discussão para o mundo em que vivemos. A alegoria que ela emprega é o da Criança Torturada, algo que Dostoievski explora em Os Irmãos Karamázov: somos capazes de conviver com a certeza de que a nossa felicidade depende da desgraça de outra pessoa? Na narrativa, Le Guin usa descrições bem vívidas tanto acerca da cidade magnífica como o da criança torturada. No mundo de hoje, temos uma sociedade capitalista que se construiu em cima da desgraça de muitos. Se engana quem pensa que o modelo econômico é igualitário. Ele jamais vai ser. Para o capitalismo funcionar, eu preciso ter poucos ricos e muitos pobres. Dessa forma quem é rico dita o andamento da sociedade enquanto o pobre trabalha almejando, com sua força de trabalho, se tornar um integrante da elite. Ou seja, para a bela cidade da elite funcionar, ela depende da criança torturada que é a massa camponesa.

Inteligentemente, Le Guin nos coloca como cúmplices da narrativa. Isso porque a narrativa funciona em uma mescla de segunda e terceira pessoas. As descrições do narrador não são tão completas assim e ele coloca na mente do leitor as sementes para que ele possa construir sua própria versão da cidade. A todo o momento ele faz essas interlocuções onde ele pede que acrescentemos as festividades, as orgias, as drogas entorpecedoras. Tudo a nosso gosto. Ou seja, Omelas é a nossa utopia manifestada de forma concreta. Quando ela nos apresenta a Criança Torturada, já havíamos criado tudo o que tanto desejamos. É como se o narrador (ou seja a própria autora) fosse Mefistófeles, e nos oferecesse tudo o que quiséssemos, mas em algum momento teríamos que pagar o preço. E esse preço vem em uma descrição que, diferente da abertura fornecida pela anterior, é inteiramente fechada e não dá espaço para justificativas. A criança vive em um estado deplorável e nós, leitores, somos parte disso porque aceitamos transformar a cidade em nosso conceito de cidade e ambientação perfeita.

É esse jogo duplo de culpabilidade, cumplicidade e tortura que tornam o conto tão poderoso. Porque ele joga na nossa cara como o mundo é injusto. Como o sistema do qual fazemos parte não prega igualdade, mas a imundície. É a definição absoluta de o quanto não existem luzes na nossa cidade sem a escuridão dos esgotos. Qual é a solução? Nenhuma. Le Guin não se propõe a te dar um final feliz, uma solução para os problemas do mundo. Ela só nos mostra o quanto somos inertes em tentar impedir que aquela criança seja torturada. Porque aqueles de nós que possuem mais escrúpulos apenas vão fazer como aqueles que mais se incomodaram com a situação na cidade: abandonar Omelas.

Tamara Alcântara Frazão
Tamara Alcântara Frazão
6 meses atrás

Amei, mas tive que ler duas vezes pra entender melhor kkk

Morro Branco
5 meses atrás

Ah mas ficamos muito felizes por você ter gostado!

Isabella
6 meses atrás

Esse conto é incrível. Amei o projeto, por favor, continuem com o Cápsula.

Morro Branco
5 meses atrás
Reply to  Isabella

Agradecemos o feedback, Isabella! Vamos continuar sim! ♥

Lilli
Lilli
6 meses atrás

Viajei, criei, teci, complementei com o que acho “importante”…. Daí me vi na posição de algoz: teria que sacrificar algo muito importante para ter o “mundo ideal”.
Não, não consigo.
Sou uma das que abandonariam Omelas.

Morro Branco
5 meses atrás
Reply to  Lilli

Adoramos seu comentário!

Isabel
Isabel
5 meses atrás

Excelente conto, reflexivo e envolvente.

Morro Branco
5 meses atrás
Reply to  Isabel

Ficamos muito felizes em saber que você gostou! ♥

Thais
Thais
3 meses atrás

Perfeito

Eliana
Eliana
3 meses atrás

Onde encontro o livro?

Gabriela Y. Tanaka
Gabriela Y. Tanaka
3 meses atrás

Achei incrível o formato e a proposta trazida pelo projeto da cápsula. Me encantei com as literaturas, é uma ótima fonte de conhecimento!!

Mayanna
Mayanna
3 meses atrás

Uma proposição que incita a reflexão sobre a forma como se vive na desigualdade e as possibilidades de abandonar o que lhe aprisiona. Fabuloso!

Letícia
Letícia
3 meses atrás

Parabéns editora Morro Branco, essa iniciativa é muito boa!
O conto tem um toque de mistério muito interessante, que me prendeu muito e a mensagem final é muito impactante!
Quero ler os outros contos disponíveis aqui!

Shirley Britto
Shirley Britto
3 meses atrás

Gostei bastante , mostra o que é o egoísmo humano, quando se cria uma razão para ter escravos , para ter a maldade. É a humanidade não deu certo .

ELIANA REGINA CARDOSO DA ROSA
ELIANA REGINA CARDOSO DA ROSA
3 meses atrás

Muito mágico! Belíssimo conto. Uma verdade filosófica. Fiquei pensando, quantos de nós abandonam Omelas? Fechamos os olhos para viver a “felicidade”? Obrigada por oportunizar esse encontro com a leitura e a reflexão.

Rosa de Carvalho
Rosa de Carvalho
3 meses atrás

Maravilhoso balde de água fria em nossa finalidade de vida.

Lucas Pereira de Souza
Lucas Pereira de Souza
3 meses atrás

Adorei o conto. Acessei através da dica da Dona Rita! Amei.

Fatima pires
Fatima pires
3 meses atrás

Que lindo progetto,tu do que nos leva a observar e pensar traz esperança

Nadia Nogueira
Nadia Nogueira
3 meses atrás

Amei o conto. Um verdadeiro soco no estômago. Autora fantástica

Alexandre Casagrande
3 meses atrás

Lindo e duro. Uma fantasia que afere as realidades que vemos.

Rosana Meire de Lima
Rosana Meire de Lima
3 meses atrás

Excelente canal de amplificação de ideias! Amei

Ginga Vasconcelos
Ginga Vasconcelos
3 meses atrás

UAU…quero dizer…UAUUUUU! Maravilhoso!

Geise Bernadelli
Geise Bernadelli
3 meses atrás

Excelente o conto! Não havia lido nada ainda da autora e achei ótima a maneira dela criar esse mundo de Omelas, sua forma de mostrar a naturalidade com que se exerce o mal, quase que como validando a justificativa da cidade para perpetuar a violência. Eu gostaria de dizer que é uma distopia, mas infelizmente Omelas é algo cruelmente real, e as vísceras dessa operacionalização da vida social estão expostas e fedendo bastante atualmente. Eu abandono Omelas diariamente, mas a culpa me acompanha e também a tristeza por tantos dos que amo viverem tranquilamente na paz sem culpa de Omelas. Obrigada pelo projeto cápsula, vida longa a esse lindo projeto!

Rosilene
Rosilene
3 meses atrás

Que conto intrigante!! Estou cheia de perguntas e vou precisar de dias para encontrar quem sabe respostas

Cristian
Cristian
3 meses atrás

Maravilhoso.

luciana
luciana
3 meses atrás

Achei a iniciativa excelente, mas não gostei da execução. Acho ruim ler com duas páginas por tela. Gostaria da opção de baixar o arquivo de texto e ler pelo kindle.

andrés sandoval
2 meses atrás

quero ilustrar contos assim.

PAULO ROBERTO FERNANDES DE ARAUJO
PAULO ROBERTO FERNANDES DE ARAUJO
2 meses atrás

Pareceu que eu estava as portas de visitar o terror cósmico. Sensacional.

Ju B.
Ju B.
2 meses atrás

Excelente dica da Rita Von Hunty! Procurarei ler mais livros dessa escritora! Infelizmente, essa é a realidade do nosso dia a dia!

Rafaela de Oliveira Maciel Nascimento

Que conto lindo, gostaria de ter uma edição pequena física! Comprarei imediatamente a Curva do sonho.

GLEICE BORGHESI DUCATTI PEROSA
GLEICE BORGHESI DUCATTI PEROSA
2 meses atrás

Adorei. Fiquei tentando imaginar uma saída. Será que não existe a opção de salvar a criança e abandonar Omelas para construir outro lugar? Seria preciso uma operação de inteligência e clandestinidade e seria uma fuga espetacular. O que aconteceria com Omelas? Sei lá. Não olharia pra trás pra saber.

raquel leão luz
raquel leão luz
2 meses atrás

Belíssimo conto! Arrepiante! Lerei com meus estudantes do 8º ano. Em breve passarão por aqui para também comentar!

Karina
Karina
2 meses atrás

Obrigada por trazer mais um conto incrível!

Jihane Depp
Jihane Depp
2 meses atrás

Gostei

ARIEL SALVADOR ROJA FAGUNDEZ
ARIEL SALVADOR ROJA FAGUNDEZ
1 mês atrás

Que projeto encantador. Obrigado.

Daniel Gárgula
9 dias atrás

Uma reflexão sobre o próprio ser humano e sua capacidade de tratar o mal com condescendência, mesmo que saiba de sua existência. Não poderia ser mais atual, visto que vivemos tempos onde a empatia é tida como fraqueza. Qual o limite para esta cegueira autoi mposta? Para alguns é a saída de Omelas.